Macarrão Instantâneo: a praticidade vale a pena?

21 07 2011

Semana passada, eu estava assistindo a um programa de televisão que fala de saúde e bem estar (rs), e o assunto do dia era alimentação das crianças.

Em determinado momento, a médica que estava presente foi questionada se o macarrão instantâneo, o famoso miojo, era um bom alimento para crianças de 1 ano de idade, e a resposta da médica foi mais ou menos assim: “Sim, até nós adultos adoramos, o macarrão instantâneo é uma refeição prática, ótima pra quem não sabe ou não tem tempo de cozinhar e, se colocarmos queijo ralado por cima, é bom para a alimentação das crianças sim.

Que o macarrão instantâneo é prático, ninguém pode negar né? Mas será que realmente é adequado para alimentação das crianças?

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) fez uma pesquisa com 10 marcas de macarrão instantâneo e constatou que as quantidades de sódio e gordura desses produtos estão acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras diretrizes médicas.

Para que o miojo tenha essa consistência e cozinhe rápido (em apenas 3 minutos), ele passa por um processo de fritura ao ser feito e, de acordo com a coordenadora da empresa que realizou a pesquisa, alguns produtos têm cerca de cinco vezes mais gordura do que o macarrão tradicional, além de algumas marcas apresentarem também o dobro da quantidade de sódio que um adulto saudável deveria ingerir durante um dia todo.

Todo mundo já sabe que alta ingestão de sódio e gordura pode trazer sérios riscos a saúde, como hipertensão, alteração nos níveis de colesterol e suas consequências, como problemas cardiovasculares.

E aí? Será que o macarrão instantâneo é mesmo um bom alimento para crianças de 1 ano, como foi informado na TV?

Palavras de um cardiologista:

Isso tudo, sem contar que o macarrão instantâneo possui na sua composição um realçador de sabor chamado glutamato monossódico, que é um aditivo alimentar que vem sendo muito estudado, mas seus efeitos estão sendo comparados com o álcool, nicotina e outras drogas.

Confira as quantidades de gordura e sódio de outros alimentos, nessa imagem retirada do site Folha.com

Clique na Imagem para Ampliar

Como opção para a infeliz sugestão do macarrão instantâneo para crianças, que tal um macarrão mais saudável, tipo cabelo de anjo, por exemplo, com legumes cozidos, carne moída e temperos naturais? E isso não vale só pra crianças não…

Pode ser um pouco menos prático, mas a sua saúde (e de seus filhos) agradecerá no futuro.

ATUALIZAÇÃO:
Pessoal, estou atualizando o post pois tive uma contribuição valiosíssima da Nutricionista Ticiane Gonçalez Bovi.

A médica que falou no programa de TV citado acima que o macarrão instantâneo é uma boa refeição para crianças de 1 ano também foi questionada se poderia ser acrescentado ketchup nessa preparação, e mais uma vez a resposta dela foi afirmativa, pois, segundo ela, “fica colorido”.

A Ticiane compartilhou uma tabela onde ela calculou o valor nutricional da preparação macarrão instantâneo + ketchup, que comprova que essa não é uma boa combinação e que praticidade não é sinônimo de qualidade.

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

Observem as quantidades de sódio e gordura: são bem altas quando comparadas às quantidades desses nutrientes que devemos ingerir em um dia todo (como citado lá em cima). Sem contar que não é uma refeição que tenha boas quantidades de nutrientes importantes como vitaminas e mineirais.

Isso só reforça a idéia de que não se deve acreditar em tudo o que se ouve na TV a respeito de alimentação e Nutrição.

Lembre-se: o ÚNICO profissional capacitado para falar de alimentação é o Nutricionista.
Colaboração:
Nutricionista Ticiane Gonçalez Bovi – Especialista em Nutrição em Doenças Crônicas no Atendimento Ambulatorial pelo Hospital das Clínicas Da Unicamp.
Uma das idealizadoras do portal Bistrô Saúde
Contato: (19) 8139-7794 | ticianenutri@yahoo.com.br
 
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Projeto que lei que limita quantidade de sal nos alimentos industrializados

19 07 2010

COM ASSESSORIA DA SBC, DEPUTADO LANÇA PROJETO DE REDUÇÃO DO SAL
 

O deputado federal Arlindo Chinaglia, que é médico, falou ontem (dia 26) por 25 minutos na Câmara dos Deputados, para apresentar o primeiro projeto de lei brasileiro que limita a quantidade de sal nos alimentos industrializados, que não poderão ter mais que 400 miligramas por 100 gramas do produto. Os que não se enquadrarem, diz o documento legal, deverão ter um aviso informando que se trata de “Alimento com alto teor de sódio”.

A apresentação do projeto foi feito na presença dos diretores das sociedades brasileiras de Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia, sendo de notar que a proposta foi preparada com assessoria da SBC, cujo coordenador de Ação Social, Carlos Alberto Machado, apresentou os trabalhos preparados pelo Funcor e os dados científicos levantados pela entidade, como subsídios para a redação do projeto.

Caso raro na Câmara Federal, o presidente da mesa cumprimentou de público o deputado pela importância do projeto e Chinaglia, em sua apresentação, ressaltou como foi sensibilizado pela campanha da SBC e convencido de que a redução do consumo de sódio vai, em última análise, salvar vidas de brasileiros.

Se aprovado, o projeto de Chinaglia tornará o Brasil um dos raros países do mundo a regulamentar a quantidade de sal.

ASSOCIAÇÕES FÍSICAS DE FÁRMACOS
Também ontem, Dia Nacional de Combate à Hipertensão, a SBC conseguiu a promessa do presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, da realização, nas próximas semanas, de um seminário juntamente com as sociedades médicas, para redação de um protocolo objetivando a dispensação pelas farmácias populares de associações fixas de fármacos hipertensivos. Nas farmácias populares, 90% do custo do medicamento são absorvidos pelo governo.

OPAS PREOCUPADA
Os representantes das sociedades médicas, da Anvisa, do Ministério da Saúde e do Ministério da Agricultura, que é o responsável pela fiscalização dos alimentos industrializados, reuniram-se na Organização Panamericana de Saúde (OPAS), em Brasília, por ocasião do Dia Nacional de Combate à Hipertensão, para discutir a questão do abuso do sal na alimentação. O problema não é só brasileiro, garantem as autoridades da OPAS, que defendem a necessidade de somatória de esforços para obter resultados difíceis, se forem tomadas ações isoladas.

A proposta da OPAS é criar ações que levem à redução do consumo do sal e, consequentemente, à baixa da hipertensão arterial em todos os países do continente. Para a organização internacional, o consumo no Brasil é de 4,5 gramas de sódio por dia por habitante, quando o limite recomendado é de 2 gramas de sódio. Para a diretora Financeira da SBC, Andréa Brandão, é consenso médico de que, mesmo para os normotensos, é importante limitar o consumo de sal.

A OPAS pretende que, juntamente com as autoridades e as sociedades médicas, sejam criadas campanhas que levem à rotulagem mais clara dos alimentos, principalmente dos embutidos, ao esclarecimento da população, de que é exemplo o Selo de Aprovação da SBC, concedido a alimentos industrializados saudáveis.

Conheça o texto do projeto de lei. Clique aqui.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Jornalista Responsável: Luiz Roberto Queiroz