Terapia nutricional na AIDS

17 08 2011

A alimentação adequada dos portadores de AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) tem como objetivo evitar a perda de peso, assim como controlar as alterações metabólicas causadas pela doença.

A AIDS está relacionada com a depleção nos linfócitos T auxiliadores CD4+ no sangue periférico. A depleção progressiva de pool de células CD4, em conjunto com outras alterações no sistema imunológico, leva a imunodeficiência. A molécula CD4, apresenta na superfície de linfócitos T auxiliadores (T4), parece funcionar como o principal receptor celular para o HIV, permitindo sua entrada na célula hospedeira, o que explica a depleção de linfócitos T CD4+ na AIDS.

Também chamada de SIDA, ela contém, principalmente, 3 estágios:

> Estágio inicial:

– Contagem de células CD4 > 500 células/mm³

– Sintomatologia: dermatites e linfadenopatia

– Declínio da contagem de CD4 de 50 células/mm³ por ano

> Estágio Intermediário:

– Contagem de células CD4 entre 200 e 500 células/mm³

– Sintomatologia: candidíase oral e vaginal, neuropatia periférica, displasia cervical, herpes zoster e febre

> Estágio final:

– Contagem de células CD4 < 200 células/mm³

– Sintomatologia: infecções oportunistas, doenças neurológicas e tumores

 

TRATAMENTO NUTRICIONAL:

O estado nutricional destes pacientes é comprometido pela redução da ingestão de alimentos em razão da anorexia, vômitos, náuseas diarréia, dispnéia, doenças neurológicas ou alterações na boca e estômago. Com o trato gastrintestinal afetado a absorção de nutrientes é reduzida e, as necessidades aumentadas pela febre e infecções. Doenças oportunistas prejudicam a absorção de lipídeos.

O peso é um dos parâmetros mais importantes já que a perda de até 5% do peso usual aumenta significativamente a morbimortalidade. Deve-se, portanto, evitar desnutrição, imunodeficiência e infecção.

Alguns exames devem ser solicitados, são eles:

– Dosagem de albumina sérica

– Dosagem de pré-albumina

– Proteína ligadora do retinol

– Capacidade ligadora de ferro

– Dosagem de transferrina

(Estes acima para monitoração de proteínas viscerais)

– Glicemia de jejum

– Triglicerídeos

– Colesterol e frações

– Teste de sensibilidade cutânea *

– Contagem total de linfócitos *

(* Devem ser avaliados com cautela em razão da situação imunológica comprometida)

– Examinar também unhas e pele para detectar sinais de deficiências nutricionais.

 

Recomendações:

Os fatores de injúria e atividade utilizados devem ser de 1,25 quando utiliza-se a equação de Harris- Benedict.

RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS DE PROTEÍNAS

PACIENTES SINTOMÁTICOS

PACIENTES ASSINTOMÁTICOS

35 – 40Kcal/Kg de peso/dia

1,5 – 2g de proteína/Kg de peso/dia

 

35Kcal/Kg de peso/dia

2 – 3g de proteína/Kg de peso/dia

25 – 30Kcal/Kg de peso atual

0,8 – 1,25g de proteína/Kg de peso/dia

120:1cal não protéico/g nitrogênio

 

As recomendações de carboidratos e gorduras devem seguir as necessidades normais para idade, porém, se o paciente apresenta diarréia a dieta deve ser hipogordurosa com restrição de lípides de cadeia longa, utilizando-se TCM (Triglicerídeos de cadeia média).

Os pacientes com AIDS tem aumento de triglicerídeos e redução de HDL-c. Estudos utilizando ômega-3 demonstram benefícios na diminuição da trigliceridemia e melhora da massa corporal magra.

Deve-se escolher a via oral para atingir as necessidades energéticas diárias. Algumas mudanças, como racionamento das refeições, mudanças da temperatura do alimento podem auxiliar as dificuldades encontradas nas infecções. Há também alguns suplementos disponíveis no mercado.

Se o trato gastrintestinal estiver funcionando e a ingestão oral não for suficiente deve-se utilizar terapia enteral precoce e agressiva.

Se a ingestão e absorção estiver comprometida por diarréia ou outro sintoma gastrintestinal indica-se fórmulas com peptídeos e TCM.

A combinação de fórmula com nutrientes imunomoduladores como arginina, glutamina, vitaminas e ômega #, tem demonstrado melhora na resposta imunológica e diminuição da perda de massa magra nos pacientes com AIDS.

As necessidades de algumas vitaminas e minerais também está alterada e merece atenção especial, são algumas delas:

VITAMINAS E MINERAIS

AIDS

Vitamina A

2 – 4 vezes RDA

Ferro

Moderação

Vitamina E

15 – 800 UI

Zinco

1,3 vezes RDA

Vitamina C

1000mg

Tiamina

5 vezes a RDA

Riboflavina

5 vezes a RDA

Niacina

Aumentadas

Vitamina B6

2 vezes a RDA

 

Aspectos práticos:

– A ênfase na higienização oral e de mãos é indispensável para evitar as infecções oportunistas.

– A água deve ser mineral ou filtrada, se não for possível, deve ser fervida e clorada.

– Legumes e verduras devem ser lavados em água corrente e depois deixados de molho em solução clorada por cerca de 15min.

– Carnes cruas ou mal passadas e peixes crus devem ser evitados.

 

FONTE:

Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia – Chemin e Mura


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